Li este livro em 2018 / I read this book in 2018 #2

“I am writing as an ugly one FOR the ugly ones, the old hags, the dykes, the frigid, the unfucked, the unfuckables, the neurotics, the psychos, for all those girls who don’t get a look in the universal market of the consumable chick. And I start here so things are clear: I’m not apologizing, I’m not complaining.”
“Escrevo da terra das feias, para as feias, as velhas, as machonas, as frígidas, as malf*didas, as inf*díveis, as histéricas, as taradas, todas as excluídas do grande mercado das gajas boas. E começo por aqui para que as coisas sejam claras: Não peço desculpa de nada, não me venho lamentar.”
After a cover that feels like it’s screaming (the Orpheu Negro’s cover looks like a open mouth and the letters in caps) you find the text above on the backcover. But as you read the book you understand there’s a message for everyone that lives in a society, not just for women (although there’s a great strenght in that testemony).
Depois de uma capa que parece que está a gritar (a capa da edição da Orpheu Negro parece uma boca aberta e as letras estão em maiúsculas) encontram o texto acima na contra capa. Mas ao lerem o livro perceberem que há uma mensagem para toda a gente que vive numa sociedade, não só para mulheres (embora haja uma grande força nesse testemunho).
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“Virgine Depentes” talks about her personal experience as a woman and a human, her struggles with society trying to impose what it means to be a woman and that clashing with what she considered hersef to be and her path as a sexworker, being raped but most of all her empowerment above the stimas, against societal expectations.
“Virgine Depentes” fala sobre a sua experiência pessoal enquanto mulher e ser humano os seus desafios com a sociedade a tentar impor o que significa ser mulher e o choque com o que ela achava de si e o seu percurso como acompanhante e a sua violação mas acima de tudo ganhar força e ultrapassar os estigmas, indo contra expectativas sociais.
But this book is also about sexuality and how society sees it and judges it, morals and femininity/masculinity in society and how expectations change in regards to sex and how oppressive they can be, for both genders. Because this is not just a book for women, it’s a very thought provoking book, for women and men that chose to live accordingly to their gender roles or against it.
Mas este livro é também sobre sexualidade e como a sociedade a vê e a julga, morais e feminidade/masculinidade na sociedade e como expectativas mudam em relação ao sexo e o quão opressivas podem ser, para ambos os géneros. Porque este não é só um livro para mulheres, é um livro que faz pensar, para mulheres e homens que escolham viver  de acordo com as suas “regras” de género ou contra isso.
 

12 thoughts on “Li este livro em 2018 / I read this book in 2018 #2”

  1. Não conhecia o livro mas é de facto intrigante. De facto, um livro que provavelmente leria por ser um tanto “forte”. Ótima review! Beijinhos 🙂

    1. Também achei! Acho que, pelo menos em Portugal, chamar tanto as coisas pelo nome é uma chapada na cara e não algo a que estamos habituados. Ainda somos muito púdicos e hipócritas em relação a questões de sexualidade, enquanto sociedade. O livro é pequeno (100 e 20 páginas +-), aconselho!
      Beijinhos 🙂

  2. Parece me ser uma leitura muito interessante. Achas que os homens que lêem o livro tomam outras atitudes em relação ao sexo e às mulheres?

    1. Eu espero que sim! Também espero que as mulheres que o leiam mudem a sua visão sobre sexualidade e questões de “gender roles”. A imposição de um Homem no poder e uma Mulher submissa (entre outros exemplos) são questões que afetam ambos os géneros porque obrigam a ações sistemáticas que acabam por submeter ambos os géneros a uma má relação com sexualidade.

  3. Adorei! Livros fortes e que deixem a pensar! Gosto de livros que não sejam mais uma história bonita 🙂
    Gostei da review!

    1. Obrigada! Também achei super interessante por isso, mesmo não passando pelos momentos “trauma” que ela passou ou as situações que ela ultrapassou há sempre algo que podemos relacionar. E já chega de histórias bonitas, a vida é muito mais que isso 😉

  4. Que mensagem tão forte e apelativa! Não costumo ler non-fiction, mas parece-me que este é daqueles que se deve guardar para argumentos na ponta da língua 😉

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